O INGLÊS COMO LÍNGUA FRANCA NO MUNDO GLOBAL E A ACD (FAIRCLOUGH)
Palavras-chave:
Inglês como Língua Franca, Análise Crítica do Discurso, Imperialismo LinguísticoResumo
Este artigo analisa criticamente o fenômeno do Inglês como Língua Franca (ILF) mediante a aplicação do quadro teórico-metodológico da Análise Crítica do Discurso (ACD), proposto por Norman Fairclough. Partindo do contexto histórico da ascensão do inglês como código global, investiga-se a dualidade inerente ao ILF: por um lado, seu potencial inclusivo como facilitador da comunicação transnacional em domínios como ciência, tecnologia, negócios e academia, permitindo adaptações culturais, flexibilidade linguística e apropriação identitária por falantes não nativos; por outro, seu papel na perpetuação de hierarquias linguísticas e desigualdades estruturais, vinculadas a contextos históricos de colonialismo e hegemonia neoliberal. A análise tridimensional de Fairclough (texto, prática discursiva e prática social), revela como os discursos de "neutralidade", "necessidade" e "eficiência" do ILF mascaram dinâmicas de poder, imperialismo linguístico e exclusão social, além de reproduzirem assimetrias no acesso ao capital linguístico. O estudo demonstra que a democratização comunicativa promovida pelo ILF é relativa e paradoxal, uma vez que coexiste com mecanismos de marginalização de línguas minoritárias e de falantes sem acesso à proficiência valorizada. Conclui-se, pela necessidade de políticas linguísticas, que valorizem o multilinguismo, contestem homogeneizações e promovam a justiça social, garantindo que o uso do ILF como recurso global, não ocorra à custa da diversidade linguística e cultural.
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