A “ETIQUETA” DA ESCRITA ACADÊMICA E O APAGAMENTO EPISTÊMICO DA AUTORIA FEMININA
Palavras-chave:
apagamento feminino, apagamento epistêmico, autoria feminina, escrita acadêmica, etiquetaResumo
Este texto tem como objetivo apresentar discussões concatenadas para o trabalho final da disciplina Vozes femininas críticas de/des/contra/anti-coloniais, ministrada pela professora Adriana Cristina Sambugaro de Mattos Brahim no primeiro semestre de 2025, na Universidade Federal do Paraná (UFPR). O trabalho realizado teve como intuito discutir e exemplificar algumas das formas pelas quais a "etiqueta" da escrita acadêmica (sobretudo a brasileira) colabora com o apagamento epistêmico das autorias femininas. Assim, primeiramente, discuto o que se entende socialmente como etiqueta, para, então, exemplificar como podemos percebê-la dentro da academia e, mais especificamente, na escrita acadêmica. Na sequência, discuto como operam ou parecem operar essas forças de controle, e defendo que, a partir, principalmente, do uso da convenção da citação de autoria apenas pelo sobrenome, tendendo a suprimir o primeiro nome, promove-se um afastamento dos corpos que produzem conhecimentos, colaborando com o apagamento feminino e promovendo uma espécie de morte simbólica, que venho a chamar de “feminicídio intelectual”, “feminicídio acadêmico” ou “feminicídio epistêmico”. Ao final, encerro o texto com alguns comentários, reflexões e sugestões, a fim de evitar a perpetuação desse tipo de apagamento.
Referências
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