ESTÁGIO DE FRANCÊS A PARTIR DE UMA PERSPECTIVA CONTRACOLONIAL
Palavras-chave:
Estágio de Francês, Contracolonial, Sul Global, África Francófona, Educação BrasileiraResumo
O presente trabalho analisa as experiências vivenciadas ao longo da disciplina Análise da Prática e Estágio de Francês II, realizada em 2025, no curso de Letras Português–Francês da UFMG. O principal objetivo é examinar o ensino de francês por meio de uma abordagem contracolonial, valorizando o Sul global e compreendendo como a sensibilização à língua francesa pode ser desenvolvida em contextos escolares brasileiros. Para isso, o estudo parte das demandas do ensino de línguas na educação básica, da marginalização do francês no currículo e da necessidade de práticas pedagógicas que dialoguem com questões étnico-raciais e decoloniais. O quadro teórico fundamenta-se nas noções de colonialidade do saber (Quijano, 2005) e de decolonialidade (Matos, 2020), compreendidas como formas de confrontar o eurocentrismo na educação linguística. Além disso, mobiliza-se o conceito de contracolonialismo de Nêgo Bispo (2023), que entende a língua como um espaço de disputa e ressignificação, bem como as discussões de Ndiaye (2014) acerca da francofonia como continuidade dos projetos coloniais. O trabalho também adota o termo Francês Língua Adicional (FLA), conforme Ramos (2015), para evitar sentidos exóticos associados à noção de língua estrangeira. Metodologicamente, o estudo descreve a preparação e execução de uma oficina de sensibilização ao francês destinada a estudantes do Ensino Médio de uma escola estadual de Belo Horizonte. A prática pedagógica se deu por meio de conteúdos linguísticos básicos articulados a materiais culturais de países e regiões do Sul global. A análise acompanha desafios institucionais, respostas dos estudantes e a incorporação de perspectivas críticas sobre língua, cultura e colonialidade.
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