“ALÔ, QUEM FALA?”

o racismo em Telephone Conversation como ponto de partida para o Letramento Crítico-Decolonial

Autores

  • Évelen Lazamé
  • Eloiny Nóbrega Universidade Federal do Amapá image/svg+xml

Palavras-chave:

Letramento crítico-decolonial, Ensino de línguas, Contextos periféricos, Educação linguística antirracista

Resumo

O objetivo deste estudo é apresentar uma proposta de atividade para o ensino de língua inglesa ancorada em práticas de letramento crítico-decolonial voltadas a contextos periféricos, enfatizando a valorização dos saberes dos alunos, o fortalecimento identitário e a problematização de estereótipos e relações de poder presentes em suas experiências. A fundamentação teórica articula o letramento crítico (Ramalho; Rezende, 2011; Fairclough, 2015; Janks, 2016; Carbonieri, 2016; Jordão, 2016) à decolonialidade (Quijano, 2005; Mignolo, 2005; Walsh, 2013; Maldonado-Torres, 2007). Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativo-interpretativista (Bortoni-Ricardo, 2008), de caráter propositivo (Gil, 2010). A atividade desenvolve-se em três etapas articuladas. A primeira consiste na contextualização do poema Telephone Conversation, com a apresentação de Wole Soyinka (escritor nigeriano e primeiro africano laureado com o Prêmio Nobel de Literatura), seguida da leitura, em inglês, de um trecho da obra e da construção de uma tradução coletiva a partir das palavras reconhecidas pelos alunos, permitindo-lhes ampliar o vocabulário e a compreensão global do texto. A segunda etapa envolve uma discussão crítica sobre as relações de poder, discriminação, racismo e identidade presentes no poema e nas comunidades dos próprios alunos, explorando questões como quem domina a fala, como o preconceito se manifesta e quais emoções e experiências pessoais são evocadas pela leitura, além da análise das estratégias discursivas utilizadas por Soyinka para denunciar o racismo. Por fim, a terceira etapa propõe a produção de cartazes autorais em inglês com mensagens antirracistas, transformando as reflexões desenvolvidas em sala em enunciados visuais de resistência, empatia e valorização da diversidade. Espera-se que essa prática transforme a sala de aula em um ambiente de autoria, reexistência e construção identitária, promovendo o desenvolvimento da consciência crítica e a vivência de práticas insurgentes e decoloniais no ensino de línguas.

Biografia do Autor

  • Évelen Lazamé

    Especialista em Metodologia no ensino de língua inglesa pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI). Graduada em letras com habilitação em língua inglesa pela Universidade Federal do Amapá. UNIFAP, Macapá, Amapá

  • Eloiny Nóbrega, Universidade Federal do Amapá

    Mestranda do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Amapá. Especialista em Educação inclusiva com ênfase em diversidade e inovação pela Faculdade Meta. Graduada em letras com habilitação em língua inglesa pela Universidade Federal do Amapá.

Referências

BORTONI-RICARDO, Stella Maris. O professor pesquisador: introdução à pesquisa qualitativa. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

CARBONIERI, D. Descolonizando o Ensino de Literaturas de Língua Inglesa. In: JESUS, D. M. de; CARBONIERI, D. (org.). Práticas de Multiletramentos e Letramento Crítico: outros sentidos para a sala de aula de línguas. Campinas, SP: Pontes Editores, 2016, p. 121-142.

FAIRCLOUGH, N. Language and Power. London: Routledge, 2015.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

JANKS, Hilary. Panorama sobre letramento crítico In: JESUS, Dánie Marcelo de; CARBONIERI, Divanize (Orgs.) Práticas de Multiletramentos e Letramento Crítico: Outros sentidos para a Sala de aula de Línguas. Campinas, SP: Pontes Editores, 2016, p. 21-39.

JORDÃO, C. No tabuleiro da professora tem letramento crítico? In: DÁNIE, M. J.; CARBONIERI, D. Práticas de multiletramento e letramento crítico: outros sentidos para a sala de aula de Línguas. Campinas: Pontes Editores, 2016. p. 41-53.

KLEIMAN, A. B. Projetos de Letramento na Educação Infantil. Revista Caminhos em Linguística Aplicada, Taubaté, v. 1, n. 1, p. 1-10, 2009. Disponível em: https://periodicos.unitau.br/caminhoslinguistica/article/view/898 Acesso em: 20 Ago 2024

MALDONADO-TORRES, Nelson. Sobre la colonialidad del ser: contribuciones al desarrollo de un concepto. In: CASTRO-GÓMEZ, S.; GROSFOGUEL, R. (Orgs.) El giro decolonial. Reflexiones para una diversidad epistémica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores, 2007. p. 127-167.

MIGNOLO, Walter. A colonialidade de cabo a rabo: o hemisfério ocidental no horizonte conceitual da modernidade. In: LANDER, E. (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: Clacso, 2005. p. 71-103.

NÓBREGA, E. P. B. L.; GOMES, R.. Proposta didática de letramento crítico-decolonial a partir do livro "O skatista e a ribeirinha" para alunos do ensino fundamental I. In: Letramentos no contexto da educação básica, Vol.2, ed.1. Teresina: Editora e Gráfica UESPI, 2025, v.2, p. 128 - 140.

QUIJANO, A. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, E. (org). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: CLACSO, 2005.

RAMALHO, V.; RESENDE, V. Análise de discurso (para a) crítica: o texto como material de pesquisa. Campinas, SP: Pontes Editores, 2011.

STREET, B. Letramentos Sociais: abordagens críticas do letramento no desenvolvimento, na etnografia e na educação. Tradução de Marcos Bagno. São Paulo, SP: Parábola Editorial. 2014.

WALSH, C. Introducción. Lo Pedagógico Y Lo Decolonial: Entretejiendo caminhos. In: WALSH, C.. Pedagogías Decoloniales: Prácticas insurgentes de resistir, (re) existir y (re) vivir. Quito, Ecuador: Abya-Yala, 2013.

Downloads

Publicado

2026-01-29