FORMAÇÃO LINGUÍSTICA CRÍTICA NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO

a oralidade para além do currículo prescrito

Autores

Palavras-chave:

Formação Linguística, Alfabetização, Oralidade, Currículo

Resumo

Este trabalho tem como objetivo central discutir o espaço ocupado pela oralidade no processo de alfabetização, visando fomentar uma formação linguística crítica aliada à participação ativa e significativa das crianças. Observa-se que, cotidianamente na sala de aula das turmas de alfabetização, a oralidade ocupa um lugar secundário e pouco valorizado, limitando-se frequentemente a práticas de leitura em voz alta, verificação de compreensão textual, reconto e, principalmente, à memorização para apresentações em eventos festivos promovidos pela escola. Nota-se que, nesses eventos solenes, geralmente apenas as crianças consideradas mais desinibidas são selecionadas para se apresentar, o que reforça exclusões. Para fundamentar essa discussão, o aporte teórico foi construído em diálogo com autores da sociolinguística e da pedagogia crítica, tais como Bagno (2002), Bagno e Rangel (2005), Freire (1967, 1996), hooks (2013), Rojo (2012), Sacristán (2000) e Travaglia (2003). Metodologicamente, o estudo adota a abordagem da pesquisa participante, realizada com uma turma do 2º ano do Ensino Fundamental, desenvolvida no âmbito de uma pesquisa de doutorado. As intervenções e discussões em sala de aula centraram-se em temas urgentes, como o combate ao racismo e o enfrentamento das desigualdades de gênero. Os resultados da investigação indicam que a oralidade, enquanto espaço privilegiado de formação linguística crítica — onde as crianças tenham a real oportunidade de participar de debates, posicionar-se criticamente, socializar sua leitura de mundo e dialogar com os pares —, ainda é insuficiente. Nessa perspectiva, conclui-se que as propostas de trabalho com a oralidade precisam transcender as limitações do currículo prescrito — representado pelo Documento Curricular para o Estado de Goiás Ampliado (Goiás, 2019) e pela Ficha de Acompanhamento das Aprendizagens do Sistema AlfaMais Educação — para efetivar uma educação verdadeiramente emancipatória.

Referências

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Publicado

2026-01-29