ENTRE O PAPEL E O PROMPT

discussões sobre Inteligência Artificial com acadêmicos(as) de um curso de Letras

Autores

  • Natalino João Marques Teles
  • Valéria Rosa-da-Silva

Palavras-chave:

Inteligência Artificial, Multiletramentos, Letramentos Digitais, Formação Docente

Resumo

A presença crescente das ferramentas de Inteligência Artificial (IA) no ensino superior tem intensificado debates acerca de seus impactos nos processos de aprendizagem e na formação docente. Este artigo apresenta resultados parciais de uma pesquisa em andamento e discute os usos da IA por acadêmicos/as do curso de Letras (Português e Inglês) de uma universidade pública do interior de Goiás, com foco na identificação das ferramentas utilizadas e das finalidades atribuídas a esses usos no contexto acadêmico. Os/As participantes são discentes matriculados/as no 8º período do curso. O material empírico foi construído por meio de um questionário reflexivo aplicado via Google Forms. A discussão fundamenta-se em perspectivas críticas de educação linguística, especialmente no campo dos Multiletramentos e dos Letramentos Digitais (Freitas; Avelar, 2021; Cope; Kalantzis, 2022; Mendonça; Pires Jr., 2025), bem como em estudos que articulam Inteligência Artificial e educação (Santaella, 2013; Carvalho; Pimentel, 2023). Os resultados indicam que os/as participantes já incorporam a IA de modo recorrente em suas práticas acadêmicas, mobilizando-a principalmente como apoio à leitura, à escrita, à tradução e ao planejamento pedagógico. Esses achados sugerem a emergência de práticas híbridas, nas quais os processos de estudo, planejamento e produção de sentidos se constroem na articulação entre o papel e o prompt, apontando para a necessidade de refletir criticamente sobre usos éticos, responsáveis e formativos da Inteligência Artificial na licenciatura em Letras.

Biografia do Autor

  • Natalino João Marques Teles

    Graduado em Letras pela Universidade Estadual de Goiás-Unidade Universitária de Inhumas (2022-2025); atuou na educação de Inhumas-Goiás (SME/Ihumas-Goiás) em 2024. Trabalhou como comunicador na Rádio Jornal de Inhumas (JornalFM 96,5 - apresentava o PodCast-Café com Prosa), um programa de iniciativa da Universidade Estadual de Goiás, unidade de Inhumas. Eu iniciei como estagiário na rede municipal de Inhumas Goiás no ano de 2022, exercendo a função de monitor no transporte escolar dos/as alunos/as da Escola Estadual Especial Diurza Leão, onde tive diversas experiências que contribuíram de forma positiva, tanto nas relações com pessoas da área da educação, pais/ou responsáveis e alunos, contribuindo assim para que no ano de 2023 eu fosse encaminhado para exercer a função de professor de apoio de um aluno com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e TDAH, em que tivemos um resultado positivo no que diz respeito ao avanço da aprendizagem e ao desenvolvimento do mesmo, resultando em uma consequência positiva resultando na continuidade do acompanhamento ao mesmo no ano seguinte, especificamente, o ano de 2024.

  • Valéria Rosa-da-Silva

    Doutora e Mestra pelo programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Goiás (UFG), com pesquisas na área de formação crítica de professores/as; ensino crítico de línguas; decolonialidade; inter e transdisciplinaridade na educação; e bilinguismo e educação bilíngue. Possui graduação em Letras (Português e Inglês) pela Universidade Estadual de Goiás (2000), pós-graduação em Literatura Brasileira e Certificação em Língua Inglesa (FCE e CAE) pela Cambridge. É professora da UEG desde 2002, com atuação, sobretudo, nas áreas de Estágio Supervisionado, Língua Inglesa, Letramentos e Docência Universitária. Possui também experiência nas disciplinas de Comunicação Empresarial e Língua Portuguesa, com ênfase na revisão de redações e trabalhos científicos. Atualmente, é coordenadora da pós-graduação lato-sensu em Linguagem, Cultura e Ensino da UEG, Inhumas. Suas pesquisas atuais são nos campos de formação crítica de professores/as, ensino crítico de línguas, letramentos e decolonialidade, especialmente no contexto da relação escola-universidade. É coordenadora do projeto de extensão "Coletivo EscolaUniversidade (CEU)". É membro dos seguintes grupos de pesquisa e estudos, cadastrados no CNPq: "Gefople" (UEG); "Identidade e Leitura" (UFPR); e ?Transição? (UFG/UEG). Participa, também, da ?Rede Cerrado de Formação Crítica de Professoras/es de Línguas?, grupo coordenado pela Profa. Dra. Rosane Rocha Pessoa (UFG) e pelo Prof. Dr. Kleber Aparecido da Silva (UnB), vinculado ao Projeto Nacional de Letramentos da Universidade de São Paulo (USP)

Referências

CARVALHO, Felipe; PIMENTEL, Mariano. Estudar e aprender com o ChatGPT. Revista Educação e Cultura Contemporânea, v. 20, p. 1-21, 2023. Disponível em: https://mestradoedoutoradoestacio.periodicoscientificos.com.br/index.php/reeduc/article/view/11140. Acesso em: 05 out. 2025.

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SILVESTRE, Viviane Pires Viana; PESSOA, Rosane Rocha; ROSA-DA-SILVA, Valéria. Pesquisa enredada: insurgências metodológicas no Grupo Transição. In: Pesquisa enredada: insurgência metodológica em educação linguística crítica. 2026. No prelo.

WOTCKOSKI, Ricardo Boone; OLIVEIRA, Cláudia de Fátima; ANDRADE, Simone Tavares de; SILVA, Ana Carolina Belleze Silva. A inteligência artificial generativa e a produção textual: a emergência do gênero discursivo prompt. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, v. 21, n. 05, p. 1–18, 2025. DOI: 10.61164/t7sd6x67. Disponível em: https://remunom.ojsbr.com/multidisciplinar/article/view/5221. Acesso em: 30 dez. 2025.

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Publicado

2026-01-29